De entre as várias promessas eleitorais que o PS fez aos eleitores nas últimas eleições legislativas, destaca-se a da criação de 150.000 (…quem não se lembra de ouvir isto da boca de José Sócrates?).
Agora em plena “rentrée política” esse Sr. veio anunciar que a meta dos 150.000 está quase alcançada, pois (diz ele) que já foram criados 133.700.
Só que isto não corresponde à verdade!
Se não vejamos: dos 133.700 anunciados, há que retirar 36.000 postos de trabalho de pessoas que, embora residindo em Portugal, arranjaram emprego e trabalham fora do País! No 1º trimestre de 2005, cerca de 27.500 residentes em Portugal, trabalhavam no estrangeiro e já no final do 2º trimestre de 2008, eram 63.300 portugueses que se encontravam nesta situação!
Ou seja, 36.000, cerca de 30% desses empregos anunciados pelo 1º Ministro, foram criados no estrangeiro, com particular destaque para, GALIZA; BADAJOZ; AYAMONTE; etc.
Há que acrescentar ainda, que muitos dos empregos criados, por causa da precariedade e características ( call-centers, hotelaria, serviços, etc,), foram ocupados, em mais de 90% dos casos, por cidadãos estrangeiros residentes em Portugal . É que, segundo dados oficiais, a população estrangeira com estatuto de residente, aumentou 126.000 pessoas, de 2005 a 2007 (275.000 para 401.000)!
Outro facto real, é o da qualidade do emprego criado ( a maioria dos empregos criados são sub-empregos. A população empregada aumentou entre os segundos trimestres de 2005 e 2008 em cerca de 96.000 pessoas. Desta, cerca de 28.000 (30% desse valor) correspondem a pessoas que trabalham entre 1 e 10 horas por semana. E cerca de 40.000 (42%) é pessoal com emprego parcial. Na verdade no 2º trimestre de 2005, o emprego parcial atingia 590.000 pessoas e no 2º trimestre de 2008 já eram aproximadamente 630.000!
Eis pois a mistificação dos 133.700 postos de trabalho anunciados pelo 1º Ministro:
-cerca de 36.000 trabalham no estrangeiro;
-cerca de 28.000 têm um emprego com uma duração semanal de trabalho inferior a 11horas;
-cerca de 40.000 estão empregados a tempo parcial;
-cerca de 29.700 são de serviços, essencialmente em áreas comerciais e cal-centers.
Por último, o aumento do desemprego entre os detentores de um grau académico, onde se revelam as declarações irreais do Ministro do Ens. Sup., em Abril, ao referir, “quase não há desempregados entre Licenciados”. É que entre 2005 e 2007 o desemprego de pessoas com grau académico, aumentou de 46.2000 para 59.300 pessoas (+28%), sendo que a taxa de desemprego se situa, no 2º trimestre de 2008, em 5,8%!
Olhando estes dados, estamos perante, aquilo que se poderá chamar, CRÓNICA DE UMA FRAUDE ANUNCIADA.
Não é só a quantidade de empregos que é inferior à anunciada, como também a precariedade dos empregos criados, a baixa qualificação do emprego e o crescente desemprego de habilitações superiores.
Todos estes dados constam dos relatórios do INE.
A. R. Antunes
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